segunda-feira, 28 de junho de 2010

A Cor Cinzenta da Terra

Foi notícia nos jornais em setembro de 2001:


LONDRES - A tradicional imagem azul brilhante da Terra quando observada do espaço sideral já começa a ser ofuscada pela fumaça e pela poeira num momento no qual a destruição ambiental é cada vez mais visível, disse o comandante da estação espacial internacional Alpha, o astronauta norte-americano Frank Culberston. O astronauta relatou à rede britânica BBC que a vista mudou bastante desde sua primeira missão espacial, em 1990. “Há fumaça e poeira espalhadas por vastas áreas, bem mais do que antes, particularmente em algumas regiões áridas da África”, disse. “Consegui ver mudanças nos rios e no uso da terra. Podemos ver partes do mundo que estão sendo queimadas para limpeza da terra. Perdemos assim muitas árvores. Falando da estação espacial, Culberston disse que as mudanças “são causa de preocupação”.Temos de ser muito cuidadosos no modo de tratar o planeta onde vivemos “, enfatizou.





O astronauta Frank Culberston, que anda perambulando em torno da Terra encerrado na “Estação Alfa”, observa, surpreso, que a Terra já não apresenta aquela bela coloração azul, vista por Yuri Gagarin há exatos 40 anos. Sua coloração é hoje fumarenta, acinzentada.
Isso tem muito a ver, naturalmente, com as enormes queimadas, praticadas sobre tudo em países que ainda dispõem de grandes reservas florestais, como alguns da África e da América Tropical, especialmente o Brasil. As queimadas, que já consumiram 14% das florestas amazônicas, são executadas já não mais pelas grandes empresas agropecuárias, mas principalmente por pequenos agricultores desinformados, que usam ainda métodos de cultivo totalmente inapropriados ao clima e aos solos amazônicos.
Não fosse por essa falta de controle sobre os desmatamentos criminosos, o Brasil estaria ocupando posição privilegiada, nas negociações internacionais sobre a redução das emissões de gás carbônico para controle do efeito estufa. Sem as queimadas, o país estaria situado em vigésimo lugar na escala dos produtores de carbono atmosférico, com uma produção anual de 70 milhões de toneladas por ano, ou seja, apenas 1% da produção mundial. As queimadas na Amazônia elevam esse valor para 210 milhões de toneladas, colocando o país em sexto lugar na escala dos vilões.
O mais grave da história é que os nossos congressistas não estão nem aí, com o problema, demonstrando que não é apenas entre os pequenos lavradores da Amazônia que grassa a ignorância (ou outras razões que a razão desconhece, no caso dos doutos parlamentares). Fato é que um projeto de lei totalmente irresponsável está encontrando trânsito no Congresso, com o propósito de reduzir de 80% para apenas 20% a porção que não pode ser desmatada em propriedades rurais situadas na região amazônica. Isso, segundo salientam os especialistas do Ministério do Meio Ambiente, sem trazer qualquer benefício econômico para o país, uma vez que se trata de solos ácidos, arenosos, pobres em nutrientes e, portanto imprestáveis para fins agrícolas e pecuários.
Como se não bastasse abandonarmos uma matriz energética baseada em 90% de energia “limpa”, hidrelétrica, para entrarmos, como retardatários, na moda do “gás natural”, ainda queimamos milhões de toneladas de biomassa sem qualquer aproveitamento! E ainda se fala em desenvolvimento sustentável!

Este artigo foi escrito pelo Prof. Samuel em setembro de 2001

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Fezes de baleia ajudam no combate ao aquecimento global

Paris - As baleias cachalote do Oceano Austral são aliados inesperados na luta contra o aquecimento global, por removerem o carbono equivalente ao emitido por 40 mil carros a cada ano graças a suas fezes, revela um estudo que será publicado esta quarta-feira no periódico britânico Proceedings of the Royal Society B,mas esta era apenas uma análise parcial, demonstra o novo estudo,biólogos australianos calcularam que as cerca de 12 mil baleias cachalotes do Oceano Austral defecam, cada uma, cerca de 50 toneladas de ferro no mar a cada ano, após digerirem os peixes e lulas, que são a base de sua dieta.O ferro é um excelente alimento para o fitoplâncton - plantas marinhas que vivem perto da superfície do oceano e que tiram CO2 da atmosfera através da fotossíntese.O Oceano Austral é rico em nitrogênio e pobre em ferro, que é essencial ao fitoplâncton.Como resultado desta fertilização orgânica do ambiente marinho, as baleias ajudam a remover 400.000 toneladas de carbono a cada ano, duas vezes mais que as 200 mil toneladas de CO2 que elas liberam através da expiração.Comparativamente, 200 mil toneladas de CO2 equivalem às emissões de quase 40.000 carros de passageiros, segundo estimativas do site da agência ambiental americana (EPA).Segundo a EPA, com base em um cálculo feito em 2005, um veículo de passageiros que roda 20 mil quilômetros por ano emite mais de cinco toneladas de CO2 ou carbono equivalente ao ano.
As fezes das baleias são muito eficazes porque são liberadas em estado líquido e perto da superfície marinha, antes de os mamíferos mergulharem, destaca o artigo.
A pesca industrial da baleia não só ameaça seriamente as cachalotes austrais, como também compromete um amplo sequestro de carbono, acrescentou.Antes da pesca industrial de baleias, a população da espécie era cerca de 10 vezes maior, o que significa que dois milhões de toneladas de CO2 eram removidas anualmente, segundo o artigo.Os cientistas suspeitam que devido ao fato de as cachalotes se reunirem em áreas específicas do Oceano Austral, há um vínculo claro entre a disponibilidade de alimentos e as fezes dos cetáceos.
Isto pode explicar o "paradoxo krill", acreditam. Tempos atrás, os cientistas descobriram que quando as baleias-minke são mortas, a quantidade de krill, minúsculos crustáceos, nesta área declinam, afetando toda a cadeia alimentar.O estudo foi conduzido por Trish Lavery, da Escola de Estudos Biológicos da Universidade Flinders, em Adelaide (Austrália).O futuro de baleias cachalote e outras espécies será debatido na próxima semana em Agadir, Marrocos, onde a Comissão Baleeira Internacional (CBI) discutirá um plano para relaxar uma moratória de 24 anos na pesca comercial à baleia