segunda-feira, 23 de agosto de 2010

IBGE aponta que menos de metade das casas tem esgoto

Rio de Janeiro - As redes de coleta de esgoto sanitário foram ampliadas em 45% entre 2000 e 2008 no Brasil. Apesar disso, em 2008, elas ainda atendiam a menos da metade dos domicílios brasileiros. Segundo dados da Pesquisa Nacional de Saneamento Básico de 2008, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada hoje (20), 45,7% das residências eram atendidas por essas redes naquele ano. ]
Os demais domicílios (54,3%) recorriam a fossas sépticas ou a meios menos higiênicos, como fossas secas, valas a céu aberto ou lançamento direto em cursos d´água.
Ainda de acordo com o IBGE, o número de municípios servidos com alguma rede de esgoto aumentou 6,3%, passando de 52,2% para 55,2%. "O desejável é que tivéssemos números maiores. Mas o fator importante é que a gente está aumentando a cobertura. A gente está caminhando na direção certa. Talvez o ritmo não seja o adequado, mas estamos caminhando na direção certa", afirma o economista do IBGE Paulo Gonzaga de Carvalho.
Carvalho destaca ainda um dado positivo: o percentual do esgoto coletado que é tratado passou de 35,3% em 2000 para 68,8% em 2008. "Isso é um avanço considerável. É claro que ainda não é o ideal. E deve-se levar em conta que esse percentual de esgoto tratado inclui apenas o esgoto coletado pelas entidades responsáveis. Há ainda aquele esgoto que sequer passa por uma rede de coleta", afirma.
Entre os estados com maior rede de coleta de esgoto, destacam-se São Paulo, com 82,1% de cobertura, Pernambuco (74,2%) e Minas Gerais (68,9%). As demais 24 unidades da federação tinham, em 2008, menos da metade de seus domicílios atendidos por redes coletoras. Rondônia, com uma cobertura de 1,6%, Pará (1,7%) e Amapá (3,5%) são os estados com os piores índices.
Os dados do IBGE mostram também que, em 2008, 79,9% dos municípios estavam ampliando suas redes de esgoto. Um número bem superior ao registrado em 2000, quando apenas 58% dos locais faziam ampliações em suas redes.
Já a rede de distribuição de água potável chegou a 45,3 milhões de domicílios em 2008, ou seja, 78,6% do total no Brasil. Em 2000, o alcance dessa rede era de apenas 34,6 milhões ou 63,9% das residências brasileiras.
Apesar da ampliação da rede de abastecimento, 6,2% dos municípios tratavam a água apenas parcialmente antes de distribui-la e 6,6% não faziam qualquer tratamento nessa água.

fonte: www.exame.com.br

domingo, 22 de agosto de 2010

Globalização

Não há dúvida de que a globalização, na verdade, representa um processo de ocidentalização.

Partindo do pressuposto - até certo ponto verdadeiro - de seu enorme sucesso na produção industrial, o mundo ocidental, chegou à conclusão de que a sua mentalidade extremamente objetiva, o seu sistema analítico de raciocínio (que vem desde os filósofos gregos) e a sua maneira agressiva de agir sobre a natureza, com máxima eficiência na obtenção e no uso de recursos naturais, constitui a única e verdadeira maneira de viabilizar o mundo de amanhã, com suas populações crescentes e correspondentes demandas de recursos.

Visto isso, o mundo ocidental impôs-se, nas áreas produtivas, econômicas e culturais, conseguindo a adesão da maior parte das culturas orientais, que vêm abandonando tradições milenares em favor do nosso modo de vida, como se este fosse, sob todos os aspectos, o mais conveniente.

Entretanto, não creio que seja lícito escolher caminhos para a humanidade através de um "processo democrático", de preferência das maiorias, ou dos mais poderosos.

Às vezes, é na fragilidade de um povo oprimido - como o tibetano, por exemplo - que se encontra a maior pureza de pensamento e de sentimentos que fariam do homem um verdadeiro ser solidário. Talvez não o predomínio, mas uma pequena "contaminação" do nosso mundo globalizado por algumas dessas idéias e experiências orientais pudessem ser altamente benéficas em direção à humanização da sociedade mundial.

Com relação ao Meio Ambiente, a visão integral e despida do preconceito de "posse" da natureza, característica do pensamento e do comportamento oriental tradicional é, sem dúvida, muito mais salutar que o nosso tipo de comportamento!


artigo produzido em 16/janeiro/2001

Ilhas de calor

A terra fotografada de grande altitude com filme sensível ao infravermelho, isto é, às ondas de calor, mostra áreas iluminadas sobre fundo escuro. São as chamadas ilhas de calor. Isso se explica pela enorme quantidade de calor que é irradiada de cada área urbana no planeta.

Calor esse proveniente dos combustíveis queimados nos veículos e geradores termoelétricos, bem como das linhas condutoras de energia elétrica que, entrando na cidade, acendem suas lâmpadas, movimentam nossos aparelhos eletrodomésticos, acionam as grandes máquinas industriais etc. Toda essa energia, depois de utilizada, é transformada em calor, como todos sabem.

Assim, não é necessário recorrer a explicações tão globais, como Ele niño, ou o efeito estufa, para explicar porque não temos mais invernos em nossas cidades, como antigamente. Lembro-me de que, na minha infância, os terrenos baldios, onde vegetavam capinzais, apareciam de manhã cobertos de uma camada branca de orvalho congelado - a geada - em plena cidade de São Paulo.

Hoje, isso só ocorre no interior, para suplício dos agricultores, que chegam a perder seus cafezais, ou grande parte das colheitas de cereais por isso!

As placas de gelo que escorregavam e caíam dos telhados, sob efeito do sol, as verduras como repolhos e alfaces que continham às vezes pedaços de gelo entre as folhas, nada disso pode, hoje, ser mostrado aos meus netos: meneiam a cabeça, como se não acreditassem muito, quando lhes conto... Meninos, eu vi! - como diria o poeta Gonçalves Dias.

É claro que o efeito estufa vai agravar esse aquecimento, estendendo-o para fora das áreas urbanas, de grande concentração de energia! Deixaremos de ter geado também nas terras agrícolas do interior de São Paulo, como do Paraná e demais estados do Sul.

Em compensação, teremos calor insuportável no verão em todas essas áreas, e muitas plantas de clima frio, como os pinheiros-do-paraná e outros pinheiros, ou talvez a erva-mate, os morangos, cerejas, ameixas, maçãs e pêssegos não mais existirão!

Mas o efeito de ilha de calor, esse já está presente e aumenta a cada dia. Estudos realizados na Grande São Paulo têm revelado que a uma distância de apenas dez quilômetros da periferia, a temperatura chega a cair dez graus! Só pela ausência de máquinas e iluminação e pela presença de matas, cuja cor verde absorve energia calorífica.

Meninos, eu vi!

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Poços de carbono

Há alguns anos foi desenvolvido no Instituto de Estudos Avançados da USP, um projeto denominado FLORAN, baseado em sólida base científica, destinado a proporcionar um resgate substancial do gás carbônico que é lançado à atmosfera pelas atividades que envolvem combustão, os quais constituem a causa principal do efeito estufa.

A idéia baseia-se na implantação de uma imensa reserva de carbono - poços de carbono - na forma de florestas de rápido desenvolvimento, desenvolvimento este que se daria à custa da absorção de gás carbônico atmosférico. Esse resgate proporcionaria um balanço principalmente do carbono oriundo do próprio desmatamento e queima de "biomassa viva", embora não pudesse cobrir, evidentemente, o excesso de carbono gerado pela combustão de carbono fóssil, que está sendo trazido pela primeira vez ao contato com a atmosfera.

Por outro lado, o projeto cercou-se do cuidado de proporcionar atrativos comerciais, visando mobilizar o interesse de grandes indústrias como coparticipantes do investimento.

Para tanto, as espécies a serem plantadas seriam de interesse nas atividades de construção, e principalmente indústria de celulose: espécies de crescimento rápido, proporcionando ao mesmo tempo um rápido retorno de capital e uma maior eficiência na absorção do carbono atmosférico. As áreas selecionadas para o reflorestamento não incluiriam reservas e áreas em que é mais desejável a permanência de espécies autóctones, como a Floresta Amazônica.

Mas a idéia parece que não atraiu ninguém e ficou no papel, o que é no mínimo curioso, numa época de protocolos Kioto, em que os países procuram proclamar seus créditos em relação à imobilização de carbono... Agora, vem a notícia de que a indústria francesa de automóveis Peugeot já está iniciando um grande programa de reflorestamento na Amazônia, com esse exato objetivo!

Anexos

Ecoeconomia na prática - empresa francesa (Peugeot) planta árvore para retirar CO2 do ar - reflorestamento de uma área de 10 mil hectares no Mato Grosso para extrair CO2 da atmosfera - a meta é plantar 10 milhões de árvores em 40 anos.
(Fonte: Jornal do Brasil, seção Ciência, em 24 de julho de 2000)

(...)
O plantio de novas florestas pode controlar o aquecimento global, como ainda render dinheiro para países como o Brasil, que têm um vasto território para criar novas matas e regenerar as que estão danificadas. O Brasil pode rejuvenescer 500 mil hectares de áreas degradadas (1 hectare equivale a 10 mil metros quadrados) e com isso retirar 5 milhões de toneladas de carbono do ar.
Com isso se poderia retirar 10 toneladas por hectare, por ano, representando entre US$ 100 milhões e US$ 250 milhões anuais. O valor desse ´ativo´ está subindo depressa nas bolsas.
Segundo o Banco Mundial, lá pelo ano 2020, os poços poderão estar movimentando US$ 100 bilhões ao ano. No Brasil, já há empresas com projetos de investir em ´poços de carbono´, nome que se dá às matas que limpam o ar de CO2.
A Peugeot francesa é um exemplo. Instalada no noroeste do Mato Grosso, ela quer capturar 2 milhões de toneladas de carbono, o equivalente a 7 milhões de toneladas de CO2. A captura já começou e a expectativa é de fazer isso por um século, mais ou menos.
O poço da Peugeot tem 10 mil hectares e fica perto do Rio Juruena, um dos afluentes secundários do Rio Amazonas. A propriedade foi comprada por uma ONG, a ONF Brasil, em parceria com a Peugeot, e contém diversos tipos de vegetação. (...)
(Fonte: trecho de artigo publicado na Revista Galileu, da Globo, em agosto de 2002)

(artigo produzido em 27/fevereiro/2001)

Ecolíbrio

Um grande amigo meu, Aristides Almeida Rocha, autoridade internacional em questões ambientais, costuma contar em suas aulas na Universidade de São Paulo, o seguinte episódio verdadeiro, para exemplificar o encadeamento natural e obrigatório dos fenômenos e processos ecológicos. O tal de "ecolíbrio", tão desejado...

Por volta de 1960, a Organização Mundial da Saúde, para combater os mosquitos transmissores de malária, na ilha de Bornéu, decidiu fazer ali uma extensa aplicação de inseticidas. Usando aviões e outros equipamentos, aplicou verdadeiras nuvens de DDT em todo o território, abrangendo matas, casas, plantações etc.

O primeiro resultado observado foi magnífico! Morreram, praticamente, todos os pernilongos da ilha, e seus habitantes não só viram-se livres da malária, como também puderam dormir mais tranqüilos, sem a musiquinha e as picadas incômodas dos bichinhos durante a noite. Porém,... algumas coisas estranhas começaram a acontecer em todo o território de Bornéu...

É que o DDT não matava somente os pernilongos. Matava, também, outros insetos, como abelhas, besouros, baratas etc. Alguns destes não chegavam a morrer, mas ficavam meio tontos e incapazes de fugir ao ataque dos lagartos da ilha, que passaram a fartar-se dos mesmos...

Mas os lagartos não sabiam que os insetos estavam envenenados e, ao comê-los, ficavam também meio paralisados, tornando-se presas fáceis dos ... gatos! Estes, deixaram de perseguir os ratos, para dedica-se à caça, muito mais fácil, do novo petisco. Só que, cada lagarto, tendo comido centenas de insetos envenenados, já possuía, em seu corpo, uma dose concentrada de DDT: e o gato morria!

Para encurtar a história - que é longa - os ratos tomaram conta da ilha. Os técnicos da OMS providenciaram, então, uma grande remessa de gatos, o que não resolveu todo o problema, pois uma certa espécie de baratinhas, que antes era devorada pelos lagartos, passou a proliferar muito, comendo a palha de coqueiro, de que eram construídas as casas dos habitantes da ilha, as quais desabavam. Não restou a OMS senão providenciar o transporte, em massa, de lagartos das ilhas próximas! E assim, foi restabelecido o "ecolíbrio" desejado....

fontes: primeiro programa

sábado, 7 de agosto de 2010

Preservar

"Prevenir é melhor do que remediar" - essa é a máxima que vem sendo repetida, com diferentes palavras, em diversos idiomas e em várias circunstâncias, há milhares de anos. Pelo menos desde o poeta romano Ovídio!

A palavra "preservar" tem quase exatamente esse sentido: a de não permitir a deterioração, a deturpação, a perda das características e propriedades originais e essenciais. Preservar a saúde era, na mitologia greco-latina, a função preeminente da deusa Higéia, irmã de Panacéia, ambas filhas diletas de Esculápio, a divindade responsável pela saúde humana. Enquanto Panacéia, utilizando seus múltiplos recursos terapêuticos, protegia e curava os doentes, a irmã, precavida, preservava a saúde, impedindo que a doença se instalasse: prevenir, em vez de remediar.

Há uma diferença sutil, entre as palavras preservar e proteger, que, entretanto, não figura nos dicionários. Protege-se a existência de algo; preserva-se a sua essência. A polícia nos protege dos criminosos, mas não é sua função preservar as características essenciais que caracterizam o ser humano como espécie distinta. Panacéia nos protege da doença, ministrando-nos o remédio adequado; Higéia preserva a nossa saúde, mantendo-a intacta, incorruptível!

Em relação ao Meio Ambiente, pode-se fazer idêntica distinção. As leis, os órgãos oficiais específicos, as organizações não governamentais, protegem o ambiente contra as ações predatórias, o fogo, a exploração não sustentável dos recursos naturais, o acúmulo de detritos. Mas as relações fundamentais da natureza, a interdependência de elementos que a caracteriza, a essência fundamental dos ecossistemas, que faz deles - por insignificantes que sejam - entidades dinâmicas, econômicas e auto-estruturadas, essas propriedades não podem ser protegidas, defendidas, abrigadas, resguardadas: têm que ser preservadas, como algo insubstituível, cuja perda é sempre irremediável!

O Fazer e o Não Fazerem

É muito interessante observar como as obrigações de "não fazer" são sempre aceitas e executadas mais prazerosamente do que as que exigem "fazer" algo... Explico: para aquele senhor um tanto obeso, a quem o médico recomendou perder alguns quilos, é muito mais fácil deixar de comer - desengordurando a dieta - do que fazer exercícios físicos diários. No entanto, os exercícios atenderiam a uma gama muito mais ampla de requisitos de saúde do que a simples dieta. Ou ainda: é muito mais fácil não maltratar, simplesmente, um cão doente e faminto, na rua, do que recolhê-lo, levá-lo a um veterinário e tratá-lo convenientemente.

Com relação aos que pretendem "zelar pelo meio ambiente" ocorre coisa semelhante. São freqüentes aqueles que alardeiam não jogar lixo nas ruas, não arremessar latinhas nas estradas, não cortar árvores, não deixar restos de alimentos nas praias. Mas é comparativamente menor o número dos que recolhem latinhas para conduzi-las aos locais de reciclagem, ou os que plantam árvores. Ou ainda os que constroem tanques sépticos em suas casas de praia, evitando assim que o esgoto vá para as sarjetas e redes de águas pluviais, poluindo as águas do mar onde eles mesmos tomam seu banho...

É importante, ao se apregoar o "exercício da cidadania", lembrar que desse exercício faz parte o zelo pelo patrimônio público. Que na manutenção do "ambiente ecologicamente equilibrado", tão enfatizado na nossa "Constituição Cidadã", há uma parcela importante de responsabilidade de cada um de nós, além daquela grande parcela que cabe aos poderes governamentais. A simples atitude passiva de "não fazer" isso ou aquilo, pode ser importante para não agravar. Mas atribuir ao governo tudo o que há a "fazer" é moralmente insustentável. Pelo menos não é uma atitude cidadã!

E... por falar nisso, você já se lembrou de trocar o catalisador de seu carro, que tem uma durabilidade máxima de 80 mil quilômetros? Ou... prefere deixar que o governo corrija a poluição que você está produzindo?

fote: primeiro programa 08/agosto/(2001)

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Mundaça na constituição federal

Em 14/07/2010 o Senado Federal enviou à Câmara dos Deputados (Primeiro-Secretário), por intermédio do ofício SF nº 1482 de 13/07/10, a redação final da PROPOSTA DE EMENDA À CONSTITUIÇÃO Nº 51, DE 2003 (PEC Cerrado Caatinga) (Dá nova redação ao § 4º do artigo 225 da Constituição Federal, para incluir o Cerrado e a Caatinga entre os biomas considerados patrimônio nacional), de autoria do Senador Demóstenes Torres (DEM-GO), cuja redação final ficou assim aprovada no Senado Federal:“Art. 225. ................................................ ................................................................. § 4º A Floresta Amazônica, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal Mato-Grossense, o Cerrado, a Caatinga e a Zona Costeira são patrimônio nacional, e sua utilização far-se-á, na forma da lei, dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente e a melhoria da qualidade de vida da população. Vejam que a redação final da referida PEC retirou da redação anterior a seguinte expressão “...inclusive quanto ao uso dos recursos naturais.”. E acrescentou a expressão “... o Cerrado, a Caatinga...” e “...a melhoria da qualidade de vida da população.”. Creio que salvo melhor entendimento há prejuízo com as alterações efetuadas; embora se tenha conseguido incluir o cerrado e caatinga como patrimônio nacional e retirou-se um dos pilares e essência do fato daqueles biomas serem patrimônio nacional, que é o uso dos seus respectivos recursos naturais. Ou seja, com as alterações efetuadas TODOS os biomas serão prejudicados. Como redação a ser aprovada na Câmara dos Deputados sugere-se seja mantido a redação dada pelo Senado Federal, mas mantendo-se também a redação anterior da Constituição Federal, onde ficaria acrescentado apenas a expressão “Cerrado e Caatinga” e “melhoria da qualidade de vida” ao que estava redigido na Constituição Federal em vigor: “Art. 225. ................................................ ................................................................. § 4º A Floresta Amazônica, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal Mato-Grossense, o Cerrado, a Caatinga e a Zona Costeira são patrimônio nacional, e sua utilização far-se-á, na forma da lei, dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais e a melhoria da qualidade de vida da população. A proposta imediatamente acima é como penso deva ser a redação a ser aprovada na Câmara dos Deputados. Sendo portanto a sugestão de redação a ser defendida pelo CONAMA e órgãos ambientais brasileiros.

Fontes: Conama

A natureza não corre riscos

Os seres humanos - considerados, por si mesmos, seres sagrados, ou até divinos - possuem uma espécie de sentimento atávico, contrário à Natureza. De fato, o homem foi o primeiro ser a não poder contar com a Natureza para sua própria defesa. Outros animais defendem-se subindo aos galhos das mais altas árvores; ou possuem cores e formas que lhes permitem confundir-se com as folhagens; alguns se refugiam graças a órgãos ou deformações que lhes permitem perfurar o solo; ou voam; ou permanecem algum tempo sob a água. Finalmente, há os que foram providos de garras poderosas, dentes ou até venenos fatais que lhes permitem enfrentar toda sorte de inimigos.
Ao Homem, pelo contrário, a Natureza só lhe prodigalizou pequenos detalhes estruturais que lhe facultaram a inteligência. Inteligência essa que lhe permite, para defender-se, destruir a Natureza. Onde vive o ser humano, as florestas são arrasadas, os rios conspurcados e desviados de seus cursos, os solos impermeabilizados pelo asfalto, as substâncias arrancadas ao seio da Terra para transformar-se em materiais e energia para as construções ciclópicas com que mudam a paisagem a seu gosto.
Os artistas foram, provavelmente, os primeiros a reverenciar a Natureza, reconhecendo nela elementos estéticos que o Homem não é capaz de produzir ou substituir. Por isso, os defensores da Natureza são ainda hoje chamados de "sonhadores" e "poetas", pelos pragmáticos... Mesmo assim, as tendências mais modernas, sejam na poesia, seja nas artes plásticas, têm cedido àquele atavismo primário, repelindo a Natureza "pura" e original e substituindo-a por sentimentos mais íntimos e subjetivos.
No entanto, esse processo de desnaturação - como qualquer outro processo vigente na Natureza - seguiu um caminho circular em que a própria ciência, em seu antagonismo perseverante, conduziu à descoberta surpreendente de que é a Natureza que conduz nossos passos e que somente obedecendo aos seus critérios podemos ter futuro como espécie viva. Do contrário, seremos dissolvidos num processo inexorável, sem retrocesso, que, ao longo de milhões de anos, tem garantido sempre a sobrevivência do mais viável. Pois a Natureza não corre riscos! Ela não é vingativa: apenas segue o seu curso.
fonte: www.primeiroprograma.com.br

Que são células tronco?

Há uma diferença primordial entre as células que formam os tecidos do nosso corpo - células somáticas - e as células embrionárias ou germinativas. É que as primeiras, ao se reproduzirem em laboratório, só fornecem células da mesma "espécie". Assim, células da pele só formam pele, células musculares só formam tecido muscular.
Já as células embrionárias, que têm por função originar um indivíduo completo, são "indiferenciadas", conservando a potencialidade de gerar qualquer tecido do corpo.
Isso representa possibilidades terapêuticas quase ilimitadas, podendo suprir células para corrigir lesões de anomalias do pâncreas como do cérebro, permitindo a cura de doenças como diabetes ou mal de Alzheimer, além de muitas outras. Células germinativas do próprio paciente não ofereceriam risco de rejeição.
Resta, porém, o problema ético. A primeira objeção fundamental deriva de certas convicções religiosas de que a alma, sendo introduzida desde o momento da concepção, estaria presente, de alguma forma, em cada célula dela resultante.
A segunda, mais pragmática, teme que um cientista menos escrupuloso possa ceder à tentação de prosseguir a multiplicação de células embrionárias até gerar um novo ser humano: um clone. De um modo geral, trata-se de decidir se o procedimento é ofensivo à dignidade humana.
Os cientistas reagem. A conhecida revista Scientific American apresenta, em editorial de outubro de 2001, veemente protesto contra a "lei Weldon", tramitada no Congresso americano (com enfática manifestação favorável do Presidente Bush), proibindo qualquer clonagem humana, não fazendo distinção entre clonagem reprodutiva e clonagem terapêutica.
Na França, as opiniões estão divididas entre os que consideram a proibição indiscriminada "uma limitação que irá marginalizar os cientistas franceses em face da concorrência internacional" e os que consideram a discussão prematura, dada às dificuldades envolvidas no sucesso das clonagens.
Pelo sim ou pelo não, as decisões terão que ser aceleradas em face das novas notícias sobre o avanço das técnicas de clonagem...

Esse texto foi escrito em 19/dezembro/2001