domingo, 23 de maio de 2010

Uma sociedade de Ratos:

Aquela republica de ratos estava em polvorosa. Egressa de um longo período de ditadura militar e quase que falida, submeteu-se financeiramente ao fundo de auxilio internacional. Cada vez mais desorganizada, apressava-se em promover profundas reformas, congelando salários e desmoralizando aquele tido como mínimo, revogando direitos e colocando empresas publicas e rateio ridicularizando aposentados e atribuindo aos servidores públicos os rombos do tesouro e da previdência insensíveis a tudo, alguns assim se comportavam e debatiam:
-sou mais importante que todos! O meu trabalho e mais digno que o dos outros!
Por isso, por viver nos domicílios, quero auxilio-moradia! Já que vivo no telhado,vou também aumentar o meu teto, custe o que custar! Isso e “ratione loci”(lat.., em razão do lugar)...-sentenciou Rattus rattus rattus.
-E nós, que vivemos no porão? –indagou a ratazana.
-Isso compete ao chefe, não a mim! Trata-se de uma ação ridícula, uma ratice!
-nossos salários estão congelados há seis anos.... e você tramando aumentar apenas os seus?... Que rateio mais esquisito!
-Vocês foram condenados ao porão, à lama, aos esgotos, em ambientes mais frios que tornam os salários cada vez mais congelados!....
-De fato, somos roedores, mas não somos cobaias!- insistiu a ratazana.
-Pois tratem de discutir a garantir o piso, não o teto!...
Indignados com tais atitudes, a ratazana, o camundongo e vários roedores silvestres procuram, em vão, localizar o chefe para um diálogo de reivindicações. O chefe, um ratão do banhado aposentado precocemente, encontrava-se por demais preocupado.. com a sua popularidade.
-Estão procurando o chefe? Como de habito, ele acabou de chegar de uma viagem e agora está lá no banhado, descansando! Creio que não gostaria de ser importunado! –respondeu o mocó, que desempenhava o papel de “aspone” (assessor de p.. nenhuma).
-Bem que me falaram que mocó é também alguém que muito sabe e nada revela! – explicou o camundongo.
Após muita insistência, o mocó desperta o chefe. Irritado, o ratão do banhado recebe a comitiva bem a contragosto e logo, dirigindo-se ao camundongo, exclamou em alta voz:
-Olhe aqui, se o assunto for salário mínimo, já vou adiantando que ele será do seu tamanho, que e o menor entre toso nós!... qual e seu peso?
-151 decigramas!!
51? Que boa idéia!... Este será o valor do novo salário: 151 grãos!...
-Mais uma vez, “a montanha pariu um rato!” –exclamaram todos os ratos.
Por que toda vez que tentamos dialogar, o senhor logo rateia? – exclamou um rato silvestre.
-Vocês são trabalhadores rurais, já fiz tudo o que poderia fazer pela categoria!
-SR. Ratão, viemos em paz! Não habitamos os telhados, somo portanto os sem-teto; não invadimos os domicílios, somos também os sem-casa; além do mais, botaram fogo lá na floresta e ficamos sem-terra!estamos desempregados! –completou outro rato silvestre.
-Não viemos aqui delatar corrupção! Queremos um salário mais dignos, os nossos estão congelados há seis anos!.. suplicou a ratazana.
-Delatar corrupção? Isto me dá asco! Não fui eu quem chamou uma fêmea por aí de ratuína! Se você quer mais dinheiro, então diga-me, o que faz na vida?
-minha ação maior e roer!
-Roer? Pois coloque um “P” na frente e veja que não tenho mais dinheiro o que tinha destinei todo a ele!...
-Ah... os bancos falidos, o Proer!... mais uma vez, ele roeu a corda!
-Vocês só querem ratinhar.. ao trabalho, vagabundos!
-Poxa, nem parece que ele, um dia, foi como nos....

Pedro Marcos Linardi

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