Alguns videntes improvisados têm afirmado que as guerras deste novo século serão travadas pela disputa da água e não de metais ou fontes energéticas...
Essa afirmação é evidentemente cínica e irresponsável. Primeiro, por considerar que a obtenção dos bens da Terra continuará sendo, necessariamente, efetuada através de conflitos armados, à custa do sacrifício de pessoas e enormes despesas em armamentos, energia, materiais nobres, alta tecnologia, reconstrução de cidades inteiras... Segundo, por menosprezar justamente a capacidade construtiva e realizadora da humanidade, como se toda a sua força inventiva tivesse que ser dirigida para a destruição e a degradação.
A água constitui o recurso natural mais abundante na Terra e a sua obtenção em qualquer ponto da superfície do Globo - mesmo os mais áridos - mediante o emprego de tecnologias as mais sofisticadas, custaria muito menos do que uma guerra moderna, ainda que de duração efêmera, destinada à tomada dessa água pela força.
Técnicas modernas de localização, perfuração e extração de águas subterrâneas de grandes profundidades são, em geral, bem mais modestas que as empregadas na obtenção de petróleo, além de que as jazidas de água potável são muito mais disseminadas pelo planeta, constituindo reservas praticamente infinitas. Quanto à obtenção de água doce a partir da água do mar, esta há muito já deixou de constituir novidade tecnológica empregada apenas em navios de longo curso. Vários métodos estão em uso, além da simples destilação, destacando-se os processos de congelamento e osmose reversa, em uso há quase três décadas em instalações importantes do Oriente Médio, que fornecem volumes superiores a um milhão de metros cúbicos por dia.
É muito provável que se apenas a metade dos recursos gastos nas intermináveis guerras do Oriente Médio fossem empregadas na obtenção de energia solar e água potável, o fantasma da "crise da água" há muito teria deixado de existir...
(*) Este artigo foi originalmente escrito pelo Prof. Samuel em julho de 2002
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