quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Água: recurso renovável ou infinito?

Se a memória não me trai, a famosa afirmação de Vaz de Caminha de que "em se plantando tudo nela dá", refere-se à abundância de águas em nossas terras. Ele inicia com a frase: "... as águas são muitas, infinitas...". De fato, tudo nesse país tropical dá uma idéia de infinitude. O caboclo amazonense diz: "Deus é grande... mas o mato é maior!".

Na verdade, a única coisa perene que possuímos em nosso território é a energia. E assim mesmo... bem, deixemos o assunto do apagão para um outro dia. Refiro-me à energia do sol, que pode ser considerada eterna, pelos nossos padrões de medida do tempo. Mas é graças a essa energia que a água retorna sempre aos seus lugares de origem, dando a impressão de perpetuidade.

Os Antigos consideravam essa questão da alimentação dos rios como um dos maiores enigmas da natureza. Foram imaginados deuses que "produziam" água, derramando-a de grandes potes, em cada rio... Os gregos admitiam a existência de imensos e inesgotáveis lagos subterrâneos. Foi somente no século XVII que se conseguiu demonstrar, na França, através de medidas muito cuidadosas, que as águas de chuva que caíam sobre a bacia do Sena tinham a mesma ordem de grandeza que as águas que corriam pelos seus rios. Isto é, que a água é sempre a mesma, que está sendo continuamente renovada. Mas para se chegar a isso, foi necessário descobrir qual a fonte de energia capaz de conduzir a água dos mares novamente até à sua origem nas montanhas! É uma parte dessa energia que nos é devolvida pela água, quando ela despenca através de turbinas ou de simples rodas d`água...

Isso significa, também, que, se a quantidade de água de que dispomos é sempre a mesma, não podemos aumentar infinitamente o seu uso, sem que venhamos a sentir sua falta... Sujá-la, introduzindo-lhe matérias poluentes, por sua vez, constitui a maior das insensatezes. É como cuspir no próprio prato. Mas há quem o faça, supondo, talvez como Caminha, que as águas são infinitas!

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