A cada dia os produtores de “descartáveis” apresentam novas virtudes para os seus produtos. Entre elas, a higiene dos copinhos de café, que são eliminados sem a necessidade de serem lavados e fervidos; a desnecessidade de se perder tempo, água e sabão na lavagem de toalhas de linho, guardanapos, lenços, fraldas; o ganho de energia em não se ter que dar corda ao relógio, ou carregar a caneta com tinta nova... Afinal de contas, a água está muito cara, a energia mais ainda e o tempo é cada vez mais escasso... Todo esse “desgaste” pode ser largamente compensado pela compra diária de novos produtos em lugar de reutilizar monotonamente os tradicionais, durante anos a fio!
A mais recente dessas justificativas, de que tive conhecimento, é a da “leveza dos pets”, em que são acondicionados e transportados os refrigerantes. Sem dúvida, são, esses recipientes de plástico, melhores e menos vulneráveis que as cascas ou invólucros das próprias frutas naturais. E muito mais leves para serem carregados pelos caminhões do que as antiquadas garrafas de vidro. Somando-se a isso a eliminação da necessidade de serem os “cascos” de vidro tradicionais lavados e desinfetados, poderíamos facilmente chegar à espantosa conclusão de que também o caminhão que os transporta poderia ser jogado ao lixo e substituído por um novo, a cada viagem...
Esse hábito, ou essa prática quase obrigatória da descartabilidade progressiva já assume contornos de fenômeno psico-social de alto significado em relação à história de nossos costumes. Despojamo-nos de tudo o que é antigo, tradicional, ou que recorda hábitos, pessoas e episódios de outrora. Já não há sentido, para os nossos jovens, guardar ou apreciar – pelas recordações agradáveis ou históricas que nos traz à memória – uma xícara de fina porcelana, um cristal de fino lavor, um relógio suíço de delicado trabalho artesanal, uma toalha elaborada em fina renda... ou qualquer memória familiar, tradicional ou cultural. Tudo pode ser substituído: a moda, as festas regionais e comidas típicas, as comemorações sociais ou religiosas, ou até a família. Tudo o que é velho pode ser jogado ao lixo.
Como nas escavações arqueológicas, o lixo é a coisa mais valiosa que possuem as sociedades modernas!
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