sábado, 7 de agosto de 2010

Preservar

"Prevenir é melhor do que remediar" - essa é a máxima que vem sendo repetida, com diferentes palavras, em diversos idiomas e em várias circunstâncias, há milhares de anos. Pelo menos desde o poeta romano Ovídio!

A palavra "preservar" tem quase exatamente esse sentido: a de não permitir a deterioração, a deturpação, a perda das características e propriedades originais e essenciais. Preservar a saúde era, na mitologia greco-latina, a função preeminente da deusa Higéia, irmã de Panacéia, ambas filhas diletas de Esculápio, a divindade responsável pela saúde humana. Enquanto Panacéia, utilizando seus múltiplos recursos terapêuticos, protegia e curava os doentes, a irmã, precavida, preservava a saúde, impedindo que a doença se instalasse: prevenir, em vez de remediar.

Há uma diferença sutil, entre as palavras preservar e proteger, que, entretanto, não figura nos dicionários. Protege-se a existência de algo; preserva-se a sua essência. A polícia nos protege dos criminosos, mas não é sua função preservar as características essenciais que caracterizam o ser humano como espécie distinta. Panacéia nos protege da doença, ministrando-nos o remédio adequado; Higéia preserva a nossa saúde, mantendo-a intacta, incorruptível!

Em relação ao Meio Ambiente, pode-se fazer idêntica distinção. As leis, os órgãos oficiais específicos, as organizações não governamentais, protegem o ambiente contra as ações predatórias, o fogo, a exploração não sustentável dos recursos naturais, o acúmulo de detritos. Mas as relações fundamentais da natureza, a interdependência de elementos que a caracteriza, a essência fundamental dos ecossistemas, que faz deles - por insignificantes que sejam - entidades dinâmicas, econômicas e auto-estruturadas, essas propriedades não podem ser protegidas, defendidas, abrigadas, resguardadas: têm que ser preservadas, como algo insubstituível, cuja perda é sempre irremediável!

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