É muito interessante observar como as obrigações de "não fazer" são sempre aceitas e executadas mais prazerosamente do que as que exigem "fazer" algo... Explico: para aquele senhor um tanto obeso, a quem o médico recomendou perder alguns quilos, é muito mais fácil deixar de comer - desengordurando a dieta - do que fazer exercícios físicos diários. No entanto, os exercícios atenderiam a uma gama muito mais ampla de requisitos de saúde do que a simples dieta. Ou ainda: é muito mais fácil não maltratar, simplesmente, um cão doente e faminto, na rua, do que recolhê-lo, levá-lo a um veterinário e tratá-lo convenientemente.
Com relação aos que pretendem "zelar pelo meio ambiente" ocorre coisa semelhante. São freqüentes aqueles que alardeiam não jogar lixo nas ruas, não arremessar latinhas nas estradas, não cortar árvores, não deixar restos de alimentos nas praias. Mas é comparativamente menor o número dos que recolhem latinhas para conduzi-las aos locais de reciclagem, ou os que plantam árvores. Ou ainda os que constroem tanques sépticos em suas casas de praia, evitando assim que o esgoto vá para as sarjetas e redes de águas pluviais, poluindo as águas do mar onde eles mesmos tomam seu banho...
É importante, ao se apregoar o "exercício da cidadania", lembrar que desse exercício faz parte o zelo pelo patrimônio público. Que na manutenção do "ambiente ecologicamente equilibrado", tão enfatizado na nossa "Constituição Cidadã", há uma parcela importante de responsabilidade de cada um de nós, além daquela grande parcela que cabe aos poderes governamentais. A simples atitude passiva de "não fazer" isso ou aquilo, pode ser importante para não agravar. Mas atribuir ao governo tudo o que há a "fazer" é moralmente insustentável. Pelo menos não é uma atitude cidadã!
E... por falar nisso, você já se lembrou de trocar o catalisador de seu carro, que tem uma durabilidade máxima de 80 mil quilômetros? Ou... prefere deixar que o governo corrija a poluição que você está produzindo?
fote: primeiro programa 08/agosto/(2001)
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