terça-feira, 10 de agosto de 2010

Poços de carbono

Há alguns anos foi desenvolvido no Instituto de Estudos Avançados da USP, um projeto denominado FLORAN, baseado em sólida base científica, destinado a proporcionar um resgate substancial do gás carbônico que é lançado à atmosfera pelas atividades que envolvem combustão, os quais constituem a causa principal do efeito estufa.

A idéia baseia-se na implantação de uma imensa reserva de carbono - poços de carbono - na forma de florestas de rápido desenvolvimento, desenvolvimento este que se daria à custa da absorção de gás carbônico atmosférico. Esse resgate proporcionaria um balanço principalmente do carbono oriundo do próprio desmatamento e queima de "biomassa viva", embora não pudesse cobrir, evidentemente, o excesso de carbono gerado pela combustão de carbono fóssil, que está sendo trazido pela primeira vez ao contato com a atmosfera.

Por outro lado, o projeto cercou-se do cuidado de proporcionar atrativos comerciais, visando mobilizar o interesse de grandes indústrias como coparticipantes do investimento.

Para tanto, as espécies a serem plantadas seriam de interesse nas atividades de construção, e principalmente indústria de celulose: espécies de crescimento rápido, proporcionando ao mesmo tempo um rápido retorno de capital e uma maior eficiência na absorção do carbono atmosférico. As áreas selecionadas para o reflorestamento não incluiriam reservas e áreas em que é mais desejável a permanência de espécies autóctones, como a Floresta Amazônica.

Mas a idéia parece que não atraiu ninguém e ficou no papel, o que é no mínimo curioso, numa época de protocolos Kioto, em que os países procuram proclamar seus créditos em relação à imobilização de carbono... Agora, vem a notícia de que a indústria francesa de automóveis Peugeot já está iniciando um grande programa de reflorestamento na Amazônia, com esse exato objetivo!

Anexos

Ecoeconomia na prática - empresa francesa (Peugeot) planta árvore para retirar CO2 do ar - reflorestamento de uma área de 10 mil hectares no Mato Grosso para extrair CO2 da atmosfera - a meta é plantar 10 milhões de árvores em 40 anos.
(Fonte: Jornal do Brasil, seção Ciência, em 24 de julho de 2000)

(...)
O plantio de novas florestas pode controlar o aquecimento global, como ainda render dinheiro para países como o Brasil, que têm um vasto território para criar novas matas e regenerar as que estão danificadas. O Brasil pode rejuvenescer 500 mil hectares de áreas degradadas (1 hectare equivale a 10 mil metros quadrados) e com isso retirar 5 milhões de toneladas de carbono do ar.
Com isso se poderia retirar 10 toneladas por hectare, por ano, representando entre US$ 100 milhões e US$ 250 milhões anuais. O valor desse ´ativo´ está subindo depressa nas bolsas.
Segundo o Banco Mundial, lá pelo ano 2020, os poços poderão estar movimentando US$ 100 bilhões ao ano. No Brasil, já há empresas com projetos de investir em ´poços de carbono´, nome que se dá às matas que limpam o ar de CO2.
A Peugeot francesa é um exemplo. Instalada no noroeste do Mato Grosso, ela quer capturar 2 milhões de toneladas de carbono, o equivalente a 7 milhões de toneladas de CO2. A captura já começou e a expectativa é de fazer isso por um século, mais ou menos.
O poço da Peugeot tem 10 mil hectares e fica perto do Rio Juruena, um dos afluentes secundários do Rio Amazonas. A propriedade foi comprada por uma ONG, a ONF Brasil, em parceria com a Peugeot, e contém diversos tipos de vegetação. (...)
(Fonte: trecho de artigo publicado na Revista Galileu, da Globo, em agosto de 2002)

(artigo produzido em 27/fevereiro/2001)

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